12.9.09

(photo by ?)

Para as pessoas que acham ter tudo sob controle e a vida na direcção certa, deixem-me que vos diga: não existe uma direcção certa. Existem diferentes direcções, caminhos, maneiras de se fazer as coisas, mas nunca se pode considerar apenas uma como sendo a certa. Algo que funcione para uns pode não dar certo para outros. Na maioria das vezes, o que funciona para muitos não funciona para mim. Nem a forma que funciona para mim me cai bem muitas vezes, quanto mais a forma dos outros! Muitas vezes sei o que tenho que fazer e não o faço. E tantas vezes quero tomar acção em algo e não sei como.
Confusão total. Penso mais depressa do que consigo agir e sinto mais depressa do que penso. Hmmm, o que fazer a tanta confusão? Nada. Apenas rir-me dela, com ela, de mim. Apenas isso. Se me deixar afectar com as minhas confusões e dúvidas aí sim é que me perco. Não há nada como encontrar uma gargalhada nas nossas fraquezas. Principalmente quando não há nada para se rir.
Não, eu não sou instável. Sou "emocionalmente flexível" o que me permite bastante. "Emocionalmente flexível"... que bonito! Não é óptimo quando encontramos palavras que justifiquem ou dêm um pouco de sentido às nossas acções?!
Estava aqui a pensar numa coisa... depois de ter visto um documentário ontém à noite sobre o trabalho dos bombeiros voluntários na Holanda (não, não havia mais nada de jeito para ver nos 280 canais televisivos e eu estava num estranho mood para um programa da treta) onde foi falado de um enorme incêndio numa fábrica já não sei do quê, vi as imagens dos bombeiros de volta ao posto, estoirados, suados e sujos depois de horas numa luta contra chamas, que me faz fazer uma vénia mental de agradecimento (sim, não é todos os dias que se encontram pessoas que se atirem a chamas para ajudar outras!). Foi mais ou menos nessa altura do documentário que o chefe do posto dos bombeiros fez uma ronda da caserna para as câmeras e falou sobre o trabalho de bombeiro. Depois mostraram aquele pilar/ poste (como é que se chama aquilo?) que se vê nos filmes, onde em situações de emergência os bombeiros deslizam em 3 segundos até lá abaixo para mais depressa se encontrarem em posição para se vestirem, entrarem nos carros e irem combater um fogo algures. "Sim, descer pelo pilar é mais rápido do que usar as escadas!" Disse o chefe de bombeiros para a câmera com um sorriso ignorante e um tom que mais soou a alguém que tivesse encontrado a cura para uma doença mortal ao fim de anos e anos de pesquisa... eu é que me pergunto: se o objectivo é chegarem lá abaixo o mais depressa possível, uma vez que qualquer segundo gasto em vão pode implicar a segurança e mesmo a vida de outros, porque é que se sentam lá em cima??
Estas coisinhas causam-me constantemente interrogações, mas felizmente duma maneira que ainda me faz rir... às vezes parece que encontro contradições na maioria das coisas que vejo e oiço, mas é inevitável! Do género: há uns tempos atrás falava na rádio uma equipe cientistas da Universidade de Medicina de Boston sobre um medicamento que iria ser lançado no mercado para 0niomania (desejo compulsivo de consumir/ gastar). Este medicamento seria dirigido a pessoas que fossem viciadas em comprar - shopaholics... pessoas que gastam fortunas em insignificâncias, que compulsivamente compram o que não precisam só por terem que comprar. Pessoas que vivem deprimidas devido a débitos altíssimos e irreversíveis nos cartões de crédito. Pessoas que querem parar e não conseguem. Pessoas que têm a casa cheia de merdinhas que não usam e um roupeiro cheio de roupas ainda por estrear e etiquetas com o preço. Pessoas que parecem ter tudo, mas que se sentem vazias e sem nada, até comprar o próximo artigo. Agora o que me deu vontade de rir nesta história foi o facto das indústrias farmacêuticas (ui!) terem um plano para lançar este medicamento no mercado, para que as pessoas que sofressem desse mesmo mal o podessem comprar!? Não são tão queridas e bondosas estas indústrias farmacêuticas, preocupadas com o bem-estar e saúde geral?
Vejo contradições em tantas coisas, mas não o consigo evitar. Ás vezes sou confusa e torno as coisas difíceis ou quase impossíveis para mim mesma, mas não sou cega e disso eu tenho a certeza! Vejo as contradições porque estão mesmo à minha frente e na maioria dos casos não lhes consigo virar as costas! E quando o faço elas estão também atrás de mim. Mesmo que nem o fizesse... tenho 2 olhinhos na nuca.
Círculos viciosos - outra expressão que eu adoro! Estão em todo o lado, em todas as coisas, em todas as pessoas - em mim, pelo menos de certeza! É um girar constante que me mantém viva e em movimento. Isto fará sentido a alguém? Não sei, talvez não. Mas faz-me sentido a mim - a maior parte das vezes, até novas dúvidas surgirem.
Às vezes canso-me, a mim mesma. Imagino aos outros! ;) Mas é assim que as coisas se movem - damos e recebemos, seja o que for. O que importa é que estes círculos nunca se fechem e mesmo que um dia o façam, que seja na altura certa, na altura que nos faz sentido a nós próprios.
Não me interessa muito saber que caminho será o meu caminho final, o momento em que todos os círculos de dúvidas e de questões se fecharão.
A mim o que importa é por onde eu ando até lá chegar.

7.9.09


"Acredito que quando morremos fazemos um retorno - ao nosso pai ou à nossa mãe. O pai é fogo, a mãe é terra. Eu sei a quem quero voltar. Eu sei então, quando morrer, se quero ser enterrado ou cremado."

(Harry Mulisch, no programa De Wereld Draait Door, numa conversa sobre a sua vida e morte)

2.9.09

(photo by Erwin Olaf)

O que esperam de mim? Sorrisos quando algo tem piada, lágrimas quando alguém morre, silêncio quando não se quer ouvir a verdade? E quem é que tem o direito de decidir por mim o que tem piada ou é triste? Ou se uma mentira é melhor do que o silêncio?
Porque teria eu que me vestir de preto para ír a um funeral? Eu visto-me de preto quando vou a uma festa! E porque teria eu que comprar um pinheiro de Natal todos os anos em Dezembro? Se eu gostasse de pinheiros plantava um no quintal e não o ridicularizava com luzinhas e bolinhas! E porque teria eu que só me portar muito bem agora que já cheguei aos 30? Se eu aprender a ser certinha antes de morrer considerem-se com sorte!
Fantoches já há muitos, vejo-os todos os dias por toda a parte, a andar em círculos e sem nunca chegar a lado nenhum.
E porque têm vocês que me fazer perguntas destas? Ainda não me conhecem? Essas caras de "pois, mas eu pensava que agora..." - agora? agora o quê? O que é que agora significa mesmo? E o que é que era antes então?
Custa-vos ver alguém a fazer tudo o que vocês não tiveram coragem para fazer? Foram apressados? Sorry, not my fault!
Esperam o que é esperado e evitam ver o inesperado. (pena...)
O que esperam de mim tem cada vez menos importância, se eu não fôr o que eu espero de mim mesma prefiro morrer. Isso é que importa de facto: as minhas expectativas de mim, as minhas visões do mundo, os meus caminhos. Se eu consigo ver os vossos com todos os momentos a cores e a preto-e-branco, porque não conseguem ver o meu?

1.9.09

Lugares...

(photo by ?)

Cada lugar tem um espírito diferente, algo que paira no ar e que nos transmite a verdadeira natureza desse lugar. Podemos chegar a um sítio novo, onde nunca tenhamos estado antes ou de que nunca se ouviu falar, e mesmo que sejam 4 horas da manhã e tudo ainda durma vê-se na escuridão, ouve-se no silêncio e sente-se com uma convicção muito forte que lugar é este onde se chegou. Familiar, simpático, tranquilo, alegre, agitado, confuso, distante, cego, mudo... lugares que não caiem bem logo de início e que sabemos muito depressa que não vamos querer ficar por muito tempo; lugares que nos recebem de braços abertos de uma forma inexplicável e mágica, e que sabemos logo que chegámos ao lugar certo na hora certa. Não podemos então esperar para ver e explorar mais e, quando chegar a hora de partir, sentimos novamente uma convicção muito forte de que iremos voltar, um dia.
Há lugares que nos abrigam, que nos acolhem e que tomam conta de nós. Há lugares que olham por nós a uma distância respeitável, ao mesmo tempo que nos seduzem com os mistérios dos seus cantinhos mais escondidos e que estimulam a nossa paixão pelo desconhecido e pela liberdade de explorar. E há lugares que se tornam mais cinzentos quando alguém novo chega... lugares sem alma, lugares frios e vazios, lugares sem sentimento, lugares sem chuva, sol ou vento. Lugares sem magia ou aventura, lugares onde até as árvores e as flores têm uma côr baça, lugares onde as pessoas não têm cara mas mesmo assim se parecem todas umas com as outras, lugares sem história onde o passado parece ter uma função meramente premeditada, levando o presente a ser vivivo sem imaginação, lugares sem qualquer expectativa de um futuro.

Lugares do nada. Lugares sem fim. Um susto!

30.8.09

New York

Há lugares que visitamos e nos fazem sentir em casa, aconchegados...... lugares onde uma familiaridade estranha paira no ar... ("acho que já estive aqui antes"...)

... construções convidativas que nos fazem sonhar com um apartamento pequenino, cheio de livros... um espaço só nosso naquele lugar...
... coisas que nos fazem rir e que não se vêem em mais lugar nenhum...... clichés que não resistimos olhar com fascínio...
... o bom gosto e o colorido de coisinhas tão simples como uma carrinha de transporte...
... o desejar ter seguido o percurso para a escola num destes...
... o querer entrar em lojinhas sem significado nenhum apenas por terem entradas destas...

... um céu coberto de arquitectura...
... um desejo enorme de querer observar a cidade daquela janela...
(photos by A.A. de Pinho)
Se há uma cidade no mundo que me deixou nada mais do que boas recordações e saudades, essa cidade é New York... a altura de voltar aproxima-se!
























21.8.09



(photo by P.T.)

É só numa casa, na nossa casa, que conseguimos estar e sentir-nos verdadeiramente sós. Num jardim há no mínimo pássaros, pessoas a passear, gatos a olhar-nos do topo de uma árvore e nunca se está só num jardim, na rua, noutro lugar qualquer...
Dentro de casa pode estar-se tão sózinho que às vezes nos perdemos em nós mesmos.

Gostava de ver onde moras.